Uma em cada cinco empresas prevê recrutar

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Pela primeira vez desde o início da crise, cresce o número de empresas em Portugal que manifestam a intenção de contratar. Já a percentagem de gestores que tem a intenção de despedir baixou para metade. Um inquérito feito pelo Mercer revela ainda que uma em cada cinco empresas analisadas pretende recrutar, quando no ano passado a percentagem rondava os 15%.

O estudo ‘Total Compensation in Portugal 2014′ analisa uma amostra de 300 empresas a operar em Portugal, que empregam mais de cem mil pessoas, sendo 60% multinacionais e que representam os principais sectores de actividade económica. No universo analisado, sete em cada dez empresas preveem manter o número de colaboradores. Depois do ajustamento feito com a redução de efetivos em resposta à crise, as empresas retomam agora a preocupação em “reter e atrair novos talentos para se afirmarem neste novo ciclo”, esclarece Tiago Borges, responsável pela área de estudos da Mercer. Um objetivo que está a ser prejudicado pela fuga de talentos para o estrangeiro, acrescenta.

Apesar da ligeira redução registada no último trimestre, Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com uma maior taxa de desemprego com 13,9% (4ª mais elevada). Já entre os jovens o desemprego atinge um em cada três.

Salários de administradores sobem e os dos comerciais e operários descem

Na evolução dos salários há boas notícias para administradores e diretores de primeira linha e más para comerciais e operários. A tendência de descida dos salários para os quadros de topo das empresas é travada pela primeira vez nos últimos anos. Entre os administradores o crescimento real das remunerações chega a 3% e nos diretores de topo a 1,6%. Este fenómeno poderá agravar ainda mais o fosso de salários entre os gestores de topo e a os trabalhadores que estão na base da organização? O especialista da Mercer considera que esta ” inversão de tendência nos níveis de topo verifica-se porque foi justamente neste nível hierárquico que a redução salarial teve mais impacto nos últimos anos. As empresas sentiram-se fortemente pressionadas pela crise a baixar os salários mais altos”, explica Tiago Borges. Os aumentos salariais que, na maioria dos casos, são anunciados em Março são determinados pelos resultados das empresas e do colaborador. Fatores como a antiguidade e o nível funcional são os fatores que menos pesam.

Já na base das empresas continua a verificar-se uma diminuição de remunerações. Os trabalhadores dos sectores comerciais e de vendas têm uma quebra de rendimento de 0,4%. Nos operários as remunerações baixam, em média, 1,4%. Quanto a desigualdade de distribuição de rendimentos Portugal encontra-se a meio da tabela dos países da União Europeia. Um administrador de uma empresa em Portugal ganha em média 40 vezes mais que o salário médio pago na empresa. A discrepância maior é registada na EDP em que o CEO ganha 100 vezes mais que o salário médio da companhia elétrica. Nos países europeus, a Alemanha está no topo da tabela com um rácio de 70 entre o salário do presidente executivo e o salário médio da empresa.

Outra das tendências detetadas é o crescimento do peso cada vez maior das compensações para além do salário nos pacotes remuneratórios. Nove em cada dez das empresas inquiridas oferecem planos de saúde aos seus colaboradores. Uma em cada três atribui ainda um complemento ao subsídio de doença pago pelo Estado e 64% das empresas paga os três primeiros dias de baixa.

Mais de metade das companhias opta por oferecer dias de férias extra para além dos 22 atribuídos por lei. Enquanto 55% oferece seguros de vida aos seus colaboradores e 44% planos de pensões de contribuição definida. Uma em cada dez empresas paga as despesas de educação dos seus colaboradores, como cursos e pós graduações comparticipando em média 70% dos custos desses programas. Já como políticas de apoio à natalidade cerca de 18% atribuem subsídio escolar aos filhos dos funcionários e 8% subsídios de creche.

In Económico

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