107 anos do Técnico de olhos postos no futuro

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3 dias atrás

Além de recordar e celebrar a história da instituição, a sessão solene do Dia do Técnico serviu para partilhar vivências e traçar desafios futuros, num ambiente onde se respirou inspiração e dedicação.

 

A Sessão Solene do Dia do Técnico que assinala o 107.º aniversário da Escola, tende a ser um momento de celebração a diversos níveis. Além de comemorar mais um ano de história, celebra-se o ensino e a excelência, homenageando quem os faz, festeja-se o caminho percorrido, mas não se esquece os desafios que ainda há para agarrar e que se querem vencer. Foi de um misto de tudo isto que se fizeram os vários momentos e discursos da cerimónia desta quarta-feira, 23 de maio.

Depois de uma viagem pela avalanche de eventos ocorridos na Escola no último ano, coube ao presidente do Técnico, o professor Arlindo Oliveira, abrir as hostes. Invocando uma afirmação recente do Presidente da República que delineia uma das principais missões das universidades -“antecipar o futuro”, reiterou que “sendo o Técnico uma escola de engenharia talvez seja ainda mais importante esta missão”.  E foi de olhos postos nesse futuro que guiou toda a sua intervenção, fazendo referência a dois projetos em que o Técnico está diretamente envolvido e que começam agora a avançar: o projeto do Arco do Cego e a nova unidade de saúde que disponibilizará aos doentes oncológicos terapias de feixes de partículas de elevada energia a ser instalada no Campus Tecnológico e Nuclear(CTN).

E porque além de projetos já se foram erguendo iniciativas a pensar nesse futuro, o professor Arlindo Oliveira aproveitou o momento para lançar oficialmente duas iniciativas: O “Técnico +” e a Rede de Parceiros do Técnico. E se a primeira é uma forma de “dar uma voz e imagem únicas às iniciativas que a Escola desenvolve na área da formação ao longo da vida”, a segunda “tem como objetivo estratégico coordenar numa perspetiva de médio longo prazo a atuação do Técnico com as empresas relevantes do nosso tecido empresarial”, declarava o presidente da Escola.

Apresentados os objetivos da mesma, foi hora do presidente do Técnico avançar com o nome das empresas que estreiam esta Rede de Parceiros: The Navigator CompanyThales, Novabase MckinseySantanderBPI e a Caixa Geral de Depósitos. Partilhando o desejo de que em breve outras dezenas de empresas se juntem a este lote, o professor Arlindo Oliveira passou a palavra a Diogo da Silveira, CEO da The Navigator Company, e um dos principais incentivadores desta rede. “Damos assim início a uma colaboração mais estreita em que as entidades se vão entender, perceber melhor, apoiar mutuamente”, referia o CEO da multinacional portuguesa. “Acreditamos que do trabalho conjunto de instituições universitárias e empresas pode nascer algo mais forte através de um apoio e de um relacionamento estratégico”, referia de seguida Diogo da Silveira. “De certeza que desta parceria vão nascer projetos que vão fortalecer ambas as partes”, concluiu.

Fazendo jus à história do Técnico, “às muitas gerações de engenheiros formados para servir o país”, e ao papel de destaque no alavancar do ensino e da investigação nacional, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral,  referiu na sua alocução que além desta antiguidade “o Técnico continua a ter uma qualidade e persistência que faz com que hoje seja e vá continuar a ser uma escola de referência não apenas a nível nacional, mas também a nível internacional”. Referindo que o maior desafio que se coloca às universidades é a relação com a sociedade e as empresas, o governante revelou o seu contentamento por ver que o Técnico está a seguir esse caminho. “O potencial que resulta destas parcerias vai ser um dos motores de crescimento na próxima década, e é o motor que Portugal precisa”, frisava o ministro da Economia.

Encerrado o primeiro momento da cerimónia, prosseguiram-se vários momentos emotivos, ditados pelo reconhecimento do mérito e pela homenagem de quem o vai pautando.  Além da atribuição de uma medalha aos funcionários docentes e não docentes que cumpriram 25 anos de serviço à escola, foram distinguidos e fortemente aplaudidos os docentes avaliados com nota máxima no sistema de qualidade das unidades curriculares. Dentro do vasto leque, o professor Vitor Cardoso (1º ciclo) e a professora Ana Azevedo (2º ciclo) receberam o Prémio IST Excelência no Ensino. Visivelmente felizes com a distinção, ambos fizeram questão de agradecer a todos os que contribuem para o sucesso do ensino e da investigação que praticam, nomeadamente aos alunos “que me tornam especial e com quem tanto aprendo”, referia ainda a professora Ana Azevedo.  “Ser docente não é uma tarefa fácil, e não se faz de certeza de forma isolada e que seja pelo menos apreciada”, soltava o professor Vitor Cardoso.

Depois da intervenção do vice-reitor da Universidade de Lisboa, professor António Feijó, e para os que pressupunham que os momentos altos já tinham sucedido, eis que toda a plateia se levanta para aplaudir fervorosamente as duas novas docentes distintas do Técnico: as professoras Isabel Ribeiro e Isabel Sá-Correia. E se a ligação de ambas à Escola podia ter sido resumida naquele momento, foi também expressa em palavras por ambas. Os discursos das galardoadas encontraram-se várias vezes, nomeadamente nos adjetivos com que iam pintando o discurso e narrando o percurso “nesta casa”, mas também na referência do ainda escasso número de mulheres que preenchem os quadros do Técnico. “É-me muito grato, ainda assim, constatar que este ano, e de forma inédita, são duas mulheres a receber esta distinção”, declarava a professora Isabel Ribeiro. “Quero acreditar que este prémio não me foi atribuído por ser mulher, mas apesar de ser mulher”, dizia em tom de brincadeira a professora Isabel Sá Correia, reiterando a importância de manter o assunto da igualdade de género na agenda, um “esforço que o Técnico tem prosseguido”.

Citando Almada Negreiros, recordando o professor José Mariano Gago, e ainda frisando como é bom “voltar a casa”,  o professor Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior elogiou a cerimónia e enfatizou várias vezes que “a excelência não deve ser apenas para alguns, é para todos”. Abordando a questão do emprego científico salientou algumas das medidas adotadas pelo governo neste sentido, apelando ao empenho de todos para que a sociedade em geral perceba que “o nosso desígnio é o conhecimento e não pode ser outro”.  Deixando-se inspirar pelos discursos das novas professoras distintas, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior terminou o seu discurso afirmando que “saio daqui mais inquieto, mas também mais mobilizado para fazer destas duas histórias aquilo que todos queremos para as nossas filhas”.

Terminada a sessão solene, e depois de umas horas de interregno, a festa alastrou-se a todo o campus da Alameda, e às várias gerações da Escola. O Keep In Touch, o encontro anual da comunidade do Técnico, juntou os vários departamentos e núcleos de alunos numa roda viva de atividades.